Entrevista – Ronnie Von


“Eu não pensava que a assessoria de imprensa fosse tão importante”

              Esse é a declaração de Ronnie Von, apresentador e cantor. Com mais de 40 anos de carreira, 20 álbuns gravados e mais de 10 milhões de discos vendidos, Ronnie está há 6 anos a frente do programa Todo Seu, exibido pela Rede Gazeta. Em entrevista ao Site Fran Press, Ronnie Von fala sobre carreira, música e televisão.

Fran Press: Você já atuou como piloto, estudou economia, é cantor e ainda apresentador. Como é saber exercer várias profissões? Você acredita que esse tipo de flexibilidade seja importante para qualquer pessoa?

Ronnie Von: Creio que o ser humano é, por essência, multifacetado. Eu nunca planejei ser isso ou aquilo, as coisas foram acontecendo. Esse tipo de flexibilidade pode até ser importante se a pessoa tem necessidade dessa pluralidade, mas não é fundamental. Há pessoas que se dedicam exclusivamente a uma atividade a vida toda e são felizes e realizadas. Tudo depende da pessoa e de sua forma de encarar a vida.

FP: Depois de cantar por tantos anos e ser reconhecido nacionalmente, como está a música dentro de suas atividades? Há algum projeto?

RV: Projetos sempre aparecem, mas o programa Todo Seu toma muito do meu tempo. Eu não teria como fazer shows e me dedicar a um projeto musical como gostaria e deveria, pois durante a semana tenho as noites tomadas

FP: Como você enxerga a música brasileira hoje? Existe alguém na atualidade que você admire?

RV: Tem muita coisa boa, que infelizmente não tem a projeção e o reconhecimento que deveria, e muita porcaria fazendo sucesso. Mas isso sempre foi assim. No final das contas, os verdadeiros talentos sobrevivem e os modismos de qualidade duvidosa, para ser gentil, passam. Tem muita gente boa, eu vou com certeza esquecer de alguém, mas agora quem me vem à cabeça é Ana Cañas e Fabiana Cozza, duas talentosíssimas cantoras que eu sempre levo no Todo Seu.

FP: Como surgiu o primeiro convite para apresentar um programa de TV? Era algo que você já almejava em sua carreira?

RV: Foi tudo muito rápido. Eu tinha acabado de começar minha carreira de cantor e surgiu um convite da TV Excelsior, eles queriam me dar um programa no domingo, no mesmo horário do Jovem Guarda, programa do Roberto Carlos, para fazer concorrência. Mas eu acabei aceitando o convite da Rede Record para apresentar o Pequeno Mundo de Ronnie Von, aos sábados. Como eu disse, nunca planejei nada na minha carreira, as coisas foram acontecendo, as oportunidades surgindo.

FP: Depois de tantos anos de carreira, como você lida com a fama?

RV: Acredito que uma vez que você opta pela vida artística, tem de saber lidar com a fama e a eventual perda de privacidade que ela acarreta. Não adianta, ser artista implica em dar autógrafos e conversar com fãs. As pessoas se consideram íntimas suas, afinal de contas, você entra na casa delas! Faz parte do show e eu gosto. Não consigo entender as pessoas que lutam pela fama e quando a alcançam colocam um par de óculos escuros para não serem reconhecidos.

FP: Em 2011 seu programa, o todo seu, completará 7 anos. Como é manter um programa diário de qualidade e prestígio?

RV: A resposta já está na sua própria pergunta: qualidade. O Todo Seu é um programa muito simples, mas só apresenta conteúdo decente, informação e prestação de serviços, sem apelação, sem pornografia, sem exploração da miséria humana e sem comprometimento com a maluquice que se tornou essa história do ibope minuto a minuto.

FP: Qual sua opinião sobre a “briga” pela audiência na televisão?

RV: Como disse antes, acho uma maluquice, um verdadeiro câncer essa busca desenfreada por audiência a qualquer preço. Não há vencedores nessa batalha, pois no final das contas o conteúdo fica prejudicado e a qualidade cai terrivelmente. Concorrência saudável é sempre válida, mas não da maneira que vem acontecendo atualmente.

FP: Como um comunicador, como você avalia o papel da imprensa atualmente? Qual sua opinião sobre o trabalho de uma assessoria de imprensa?

RV: A imprensa precisa do artista e o artista precisa da imprensa, isso sempre foi assim. É uma relação de interdependência, que deveria ser sempre cordial e amistosa, mas às vezes não é. Creio que essa coisa dos paparazzi é um pouco exagerada. Eu, graças a deus, não sofro com isso porque sempre fui muito acessível e eles gostam daqueles artistas que são mais difíceis. Depois de mais de 40 anos de carreira é a primeira vez que tenho uma assessoria de imprensa e estou muito satisfeito. Eu não pensava que fosse tão importante. A assessoria serve de filtro e escudo para o artista. Orienta o que fazer e o que não fazer. Se soubesse disso antes…