“Atuação do assessor de imprensa ajuda a esclarecer os mais variados temas tratados na programação do rádio”
Essa é conclusão de Milton Jung, apresentador do programa CBN São Paulo, veiculado pela Rádio CBN. Na entrevista a seguir, o jornalista e autor dos livros Conte sua história de São Paulo e Jornalismo de Rádio fala sobre sua carreira no jornalismo e o papel do âncora no rádio.
Fran Press: Conte um pouco sobre a sua trajetória profissional no jornalismo.
Milton Jung: Sou filho, sobrinho e afilhado de jornalistas e também casado com uma profissional da área. Influenciado pela família, me transformei em jornalista após quatro anos de curso na PUC-RS. Foi lá, na capital gaúcha, que comecei minha carreira na Rádio Guaíba, em 1984, onde também trabalhei no jornal Correio do Povo. Ainda em Porto Alegre, tive minha primeira experiência em televisão, no SBT, e após um pedido de demissão precoce, deixei a Rádio Gaúcha, e acabei em São Paulo. Estou aqui desde 1991, onde iniciei como repórter da TV Globo para depois passar pela TV Cultura e, já como âncora, exerci essa função na Rede TV! e no Jornal do Terra, do Portal Terra. Na CBN, estou desde o final de 1998, onde apresento, hoje, o programa CBN São Paulo. Além das tarefas em redação, realizo palestras na área de comunicação para empresários e profissionais liberais. E tive a oportunidade de escrever dois livros: Jornalismo de Rádio (Editora Contexto) e Conte sua história de São Paulo (Editora Globo).
FP: Seu objetivo profissional sempre foi trabalhar no rádio?
MJ: Sempre neguei meu desejo de trabalhar em rádio, pois meu pai é um radialista consagrado no Rio Grande do Sul. Imaginava que teria de iniciar carreira em outro veículo para evitar comparações. Mas foi no rádio que obtive minha primeira oportunidade e sou grato pela habilidade de improviso que me ajudou a desenvolver. Graças a isto tive a chance de rodar pelas redações de outros veículos, principalmente de TV e internet.
FP: Como você vê o trabalho de âncora hoje? Qual a importância desse profissional para público?
MJ: Programações jornalísticas como as da CBN se baseiam na figura do âncora e isto nos coloca em posição de extrema responsabilidade, assim como nos oferece um desafio incrível. Atuamos como mediadores das mais diferentes situações, temos de ter a capacidade de contextualizar as notícias e o equilíbrio para levar o cidadão-ouvinte à reflexão. Também deve existir respeito ao contraditório e comportamento ético.
FP: Existe alguma diferença entre o trabalho de um âncora no rádio e na televisão?
MJ: Na televisão, a estrutura desenvolvida e a burocracia para que a notícia seja levada ao ar criam uma proteção em torno do âncora. No rádio, estamos mais expostos. A responsabilidade de um e de outro, porém, se assemelha.
FP: Entre seus livros publicados, há algum que você considere especial ou tenha algum fato relevante a ser destacado durante a composição da obra?
MJ: No livro Jornalismo de Rádio, destaco a possibilidade de propor a idéia de o rádio explorar a internet no momento em que esta discussão ainda estava se iniciando. No livro Conte sua história de São Paulo, pude registrar no papel as histórias de vida relatadas pelos ouvintes-internautas.
FP: Como você enxerga o uso de seu livro Jornalismo de Rádio em vários cursos universitários?
MJ: Uma bruta responsabilidade e a pressão para que alguns pontos sejam renovados. Além, evidentemente, de um orgulho difícil de conter.
FP: Você acredita que os blogueiros estão roubando o espaço dos jornalistas na web?
MJ: Não há roubo, há apenas exploração de um mesmo espaço. O que ocorre é que com as facilidades para a publicação de informação e opinião na internet, o jornalista não tem mais o privilégio nem o controle na emissão de notícia. E precisamos nos acostumar com este cenário, nos capacitarmos para atuar nele e termos humildade para entender que esta concorrência é saudável para a sociedade.
FP: Existe algum profissional da comunicação que você tem como espelho?
MJ: Milton Ferretti Jung, meu pai, pela busca na perfeição do trabalho que realiza e sabedoria em não se deslumbrar com o destaque que a mídia oferece; Augusto Links, jornalista gaúcho, pelo olhar crítico que sempre impõe sobre todos os temas com os quais se depara; e Heródoto Barbeiro, pela forma ética com que conduz o jornalismo e humildade na relação com os colegas.
FP: Em sua avaliação, qual é a colaboração de uma assessoria de imprensa para a programação jornalística de uma emissora de rádio?
MJ: Assim como vemos agências de comunicação desenvolvendo projetos extremamente competentes, há assessorias de imprensa desqualificadas. É fundamental que este profissional esteja atento às demandas das redações e capacitado a mostrar a seu cliente qual o verdadeiro valor de uma notícia. Um trabalho bem realizado neste setor pode ajudar o jornalista a esclarecer os mais variados temas tratados na programação.