Entrevista – Carlos Carvalho


“Assessorias de imprensa brasileiras oferecem serviços com alta sofisticação e valor estratégico”

É o que afirma Carlos Carvalho, diretor executivo da Abracom (Associação Brasileira das Agências de Comunicação). Em entrevista ao site Fran Press, Carvalho faz uma avaliação sobre o ano de 2010 para as assessorias de comunicação, fala do bom momento do setor e aponta as expectativas para 2011.

 Fran Press: Qual sua avaliação sobre o cenário do mercado de comunicação corporativa em 2010? Foi um ano positivo?

Carlos Carvalho: Foi um ano de retomada, após um período de incertezas gerado pela crise financeira mundial, que eclodiu em 2008, e deixou fortes reflexos no setor ao longo de 2009.

FP: Comparado ao ano de 2009, quais foram as principais mudanças no segmento?

CC: Para enfrentar tempos difíceis, o mercado avançou especialmente no investimento da gestão de custos. As agências também apostaram na diversificação de produtos e serviços, justamente para oferecer um leque mais variado aos seus clientes.

FP: Quanto o setor movimentou em 2009? Qual a perspectiva para 2010?

CC: Em 2009, o mercado movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão. Para 2010, estima-se um crescimento da ordem de 15%.

FP: Quantas empresas atuam hoje no mercado de comunicaçãocorporativa?

CC: São cerca de 1.300 companhias em todo o país.

FP: Como você avalia a evolução deste setor?

CC: É um mercado cada vez mais profissionalizado e internacionalizado. Hoje, as agências brasileiras são capazes de oferecer uma gama variada de serviços, com alta sofisticação e valor estratégico.

FP: Como foi a contratação de profissionais pelas empresas de comunicação? Houve evolução? De quanto?

CC: Ainda não temos dados a esse respeito em 2010, mas há uma forte movimentação das agências para contratar novos profissionais.

FP: Como a ascensão das mídias sociais interferiu no cenário da comunicação organizacional em 2010?

CC: As redes sociais trouxeram uma nova dinâmica à comunicação corporativa. As agências e empresas estão investindo nesse campo, ainda em busca de uma forma de uso estratégico das redes sociais como ferramentas de comunicação.

FP: Quais os desafios na área de comunicação corporativa para 2011?

CC: O mercado deve avançar na direção da qualidade total em prestação de serviços de comunicação. É preciso mostrar aos clientes que as empresas atuam dentro de padrões de excelência equiparados aos dos mercados mais importantes do mundo.

FP: Você acredita que o bom momento econômico do Brasil fez com que as empresas investissem mais em comunicação?

CC: Com certeza, o crescimento econômico traz novos investimentos. E devemos ter uma tendência de expansão em 2011.

FP: Quais foram as tendências que despontaram no mercado de comunicação em 2010?

CC: O setor público foi um importante cliente em 2010. Licitações federais e estaduais foram realizadas e novas oportunidades de negócios apareceram junto a governos. A aprovação da Lei 12.232, que regulou as licitações para o setor de comunicação, foi um impulso fundamental para essa tendência.

FP: Em sua opinião, as empresas estão atentas para a necessidade de contar com os serviços de uma assessoria de imprensa?

CC: Essa é uma questão a ser colocada do ponto de vista do que o mercado quer. Não queremos ser vistos apenas como assessorias de imprensa, mas como empresas de consultoria estratégica em comunicação corporativa. O avanço dessa consciência é lento, mas tem sido consistente.